Já era pra eu ter postado há mais tempo!!
Nietzsche 0 x 4 Padre Bonitão.
na messiânica busca de te fazer rir e chorar ao mesmo tempo
Para os que não sabem, a Medusa não morreu pelas mãos de Perseu, como dizem os nossos bons mitólogos. A verdade é que Medusa era até gente boa, e quando Perseu chegou lá armado com sua foice mágica, Medusa serviu um chá, articulou um acordo, e os dois chegaram a conclusão que o melhor seria enganar a todos e manterem-se ambos vivos.
Medusa continuou, portanto, viva, e bem viva, diga-se de passagem. Tratou de se esconder, pra não dar bandeira, e deixou um pouco de lado aquela mania de fica petrificando as pessoas. Depois de muita reflexão sobre seu eu interior, descobriu que toda essa história de Górgona maligna era somente um trauma por ter ficado “feia”. É, “feia”, com aspas mesmo, porque depois de se dar uma boa olhada no espelho (óbvio que seu poder não funcionava nela mesma, dãaa), percebeu que nem era feia como todos diziam, era tudo questão de preconceito, afinal, se a ideia do belo vai mudando conforme os tempos e as sociedades, porque deveria ela ficar presa a uma concepção do belo criada por gente que corria pelada pra mostrar os músculos? Que fútil, pensava Medusa, e por muito tempo viveu feliz e petrificando só de vez em quando, por nostalgia mesmo.
E Medusa passou pelos séculos acompanhando todas as mudanças no belo, e, por conseguinte, na sociedade. Até que criaram os Diretitos Humanos, e a proíbição internacional do assassinato, o que obrigou Medusa, como mito ocidental e cidadã do mundo a usar sempre óculos escuros e deixar a nostalgia dentro do coração.
Livrou-se da coleção de estátuas de ex-pessoas, e nem ao menos tentou vender como obras de arte que na verdade não eram, afinal, como já disse antes, Medusa até que era gente boa, e não queria enganar os pobres amantes das produções artísticas.
Entretanto, a humanidade nunca foi muito gentil com a Medusa, e certo dia, a polícia fez uma batida secreta na casa dela, procurando vestígios de crimes contra os seres humanos. Acharam, numa sala decorada com várias pinturas, vasos, instrumentos musicais, livros em estantes, entre outras coisas, uma estátua do que parecia um ser humano, e logo levaram Medusa presa, acusando-a de assassinato frio e cruel, o que já esperado, afinal uma vez Górgona, sempre Górgona.
A confusão foi grande, Medusa não queria ir, falava exaltada que eles não entendiam de nada, que aquilo não era crime, muito pelo contrário, que era parte de uma das melhores coisas da vida, o que acabou revoltando os policiais, que deram uma coronhada na nuca de Medusa e a levaram algemada, no porta-malas do carro, para a delegacia, onde permanceu presa até o julgamento, que por sinal, demorou vários meses até acontecer.
Mas tudo se resolveu quando, ao chamar a primeira testemunha de defesa, o advogado de Medusa convocou Salvatore Onofrio, famoso artista plástico neo-expressionista italiano, e grande amigo de Medusa. Salvatore logo esclareceu que a estátua de pedra que Medusa guardava em sua sala era um presente do artista, pois, como todo grego que se prese, Medusa era amante das artes.
O juiz, que sabia um pouco das coisas, perguntou ao tenente responsável pela operação se ele não havia notado que a estátua “da pobre pessoa petrificada” tinha cabeça de porco e patas de bode.
Olha só, pela primeira vez eu recebi um selo; na verdade foram 5 de uma vez!! Quem me deu esse presente inesperado foi meu xará mineiro, que escreve no Meus Pensamentos. Eis aí os ditos:
1 - Esse Blog Tem Tudo que eu Preciso
2 - Blogueiro Honesto
3 - Esse Blog é um Sonho
4 - Esse Blog me Faz Sorrir
5 - Eu Fui Indicado Para o Selo Meme
Diz a tradição – e eu sou um tradicionalista – que eu devo enumerar 8 características minhas e indicar 8 blogs para os selos. Mas eu já expliquei antes que este blog não é para falar sobre mim, então vou listar 8 características da minha “obra”:
1 – Imatura – não no sentido de tratar das coisas de maneira infantil, mas no sentido de estar ainda no início, dando seus primeiros passos; estou longe de me consagrar em qualquer coisa que seja, então vou aproveitando para aprender o máximo que posso;
2 - Besta – em vários aspectos eu parto para o besteirol puro, reflexo da minha personalidade, diriam os psicologistas;
3 – Kitsch – difícil de alguém que está no meio do caminho entre a cultura de massa e a erudita não cair nessa armadilha; pelo menos eu tenho consciência de que estou enrolando às vezes;
4 – Irreverente – lembro bem que eu queria lançar um disco de sambas cômicos cujo nome era bastante emblemático: "Não consigo ser sério”;
5 – Séria – nem tudo na vida é brincadeira, né? Procuro problematizar as questões que me incomodam na vida, e isso se transfigura no que eu produzo, embora nem sempre eu obtenha um resultado satisfatório;
6 – Fantástica (não no sentido de formidável) – a realidade é moldável, aprendi isso no pouco que eu conheço de Mago: a ascenção. Por isso eu que muitas vezes minhas ideias partem para o absurdo, porque eu quero mostrar, à la Kafka (comparação bem exdrúxula), como a realidade é absurda às vezes; ou que nós vemos menos do que o que realmente existe para se ver;
7 – Genérica – não quero datar o que eu escrevo, por isso tento muitas vezes deixar tudo muito genérico, para que possa representar muito mais do que um momento histórico pré-determinado; dessa forma;
8 – Divertida – eu pelo menos me divirto muito escrevendo, desenhando, copiando e colando, não sei se vocês se divertem lendo. =)
Depois desse exercício de auto-exegese, vamos às indicações:
1 – Estação Garimpo – do meu bróder Dj. Literatura, música, e outras coisas.
2 – Espalitando Dente – Paulo Bono publica seus excertos do cotidiano, poetizados de maneira pouco ortodoxa.
3 – Monstro de 21 Rostos – roteiros de histórias em quadrinhos que nunca verão a luz do sol, por Jean Felipe.
4 – Blog das 30 pessoas – várias pessoas, vários textos, várias surpresas.
5 – olhos furta cor, coração a mil – Dandara brinca de poetar em prosa.
6 – Capinaremos – Tá, é apelação, mas esse blog é MUITO bom.
7 – Igreja Internacional – Só o Pr. Silas salva! (obs: já foi bem melhor e hoje tá meio capenga, mas vale a pena ler os textos de vez em quando).
8 - A MACAXEIRA SEMIÓTICA – Nosso querido Um picariano sempre (nem sempre) nos agraciando com o que há de melhor da literatura latino-americana e mundial.
Bem, é isso. Agradeço ao Lucas que me agraciou com os selos e recomendo a leitura dos blogs indicados. Abraço a todos!
Descobri essa série de tirinhas no Capinaremos (pra quem não conhece esse blog, recomendo que procure o mais rápido possível!), e resolvi brincar de fazer alguns também. Sendo o Rage uma série muitas devez de humor negro, espero que ninguém se ofenda. Por enquanto só fiz esses, mas depois eu posto mais!
Essa foi sacanagem
Que blogueiro nunca passou por isso? Eu não!!
Ficou sem resposta, Nietzsche?
Esses dias tenho pensado constantemente que vou morrer. Não que esteja cogitando o suicídio, muito pelo contrário: cada vez mais me velo lutando desesperadamente para encher meus pulmões com ar e fazer meu coração continuar batendo. Mas sinto sempre a morte por perto, me rondando, me espreitando, às vezes chegando perto e cortando um pedaço da minha vida com sua lâmina gelada. Esse é o medo: de que ela esteja realmente por perto. E é justamente esse medo que está me matando.
Certas vezes a sinto tão próxima que pareço ver sua sombra projetando-se na minha frente. Viro-me então assustado e nada vejo além de nada. Em outras ocasiões quase posso sentir sua mão tocando meu ombro de leve, ou acariciando meu cabelos, como se tentasse me dizer para não temê-la, pois suas intenções são as mais nobres possíveis. Novamente a procuro com os olhos e não a encontro. Talvez seja esse meu erro, tentar vê-la com os olhos, que não podem achar o invisível. Deve ser isso, pois não acho que esteja tendo alucinações. Pelo menos não por causa de algum erro de receita médica, já que não tomo nenhum remédio. Desde sempre me recusei a tomá-los. Não gosto dessa idéia de calma ou felicidade, que já se compra pronta, sintetizada e embalada, e cujo acesso só se consegue se um senhor vestido de branco te escrever um conselho num pedaço de papel ou se você tiver um amigo em condições financeiras não tão boas que o obriguem a trabalhar por detrás de um balcão. Calma, felicidade? Isso me soa mais como business.
Não, não acredito nos remédios. O que posso fazer, sou fruto dessa coisa que alguns chamam de pós-modernidade, com sua desconfiança das confianças e das desconfianças. Hoje em dia acabam-se cada vez mais as certezas, e o que sobra é somente o sonho do que antes se sabia real. Nada mais de muros para além dos quais não se pode ir, mas também nos quais podemos nos apoiar. É preciso se fechar às vezes – quase sempre – mesmo que não percebamos, pois só assim é que podemos ter uma idéia de onde agüentamos pisar. Mas hoje em dia; como saber aonde ir? Talvez essa seja a causa do medo: a impossibilidade de se saber seguro num mundo onde as verdades já se foram há tempos.
Num mundo onde só resta o medo e a morte. E o meu medo é de temer os dois. Cada vez que os sinto por perto meu coração dispara, as pernas tremes descontroladas, o ar parece que some ao meu redor. Perco de repente todas as forças, e só consigo pensar em parar de pensar. Minha doença está toda em mim, começa em mim e só terminará em mim. Disso eu sei, não preciso de nenhuma ciência, nenhuma hora marcada que me diga. Só não sei onde é que ela termina, embora eu tenha uma idéia de onde ela começa. Mas isso realmente ajuda? Saber que nada sei?
Só o que sei é que um fim se aproxima, seja ele qual for, pois não durarei mais muito tempo assim. Ou eu encontro uma saída, ou o medo acabará por me envolver tanto que serei sufocado. No fim, finalmente encontro um muro, talvez o último deles: o medo é o que me conduz, nos conduz nesses novos séculos, o medo de ficar doente, o medo de ser roubado, o medo de ficar sozinho, o medo de uma nova Guerra, o medo de não sermos humanos ou divinos, o medo de estarmos errados quanto a tudo o que criamos nesses milhares de anos de civilizações. Esse é nosso apoio derradeiro, aquele que norteia meus passos, que me guia por um caminho que só me levará a ela, aquela que eu temo tanto, que me acaricia às vezes como que dizendo para não me preocupar com o que há de vir, que será tudo igual no fim de tudo.
Esse é meu verdadeiro pânico: que tudo seja igual no fim de tudo.